Amar a vida.
o sol está em touro
Eu vivo limpando a caixa de e-mail. E uma alegriazinha que sinto no meio desta atividade é me deparar com os textos recebidos das newsletters que assino. Pensei: “será que quem me lê também sente algo parecido quando chega artigo novo?”
Eu tive uma semana puxada no trabalho. E cada vez que sentava para trabalhar, pensava numa viagem que quero fazer com a minha filha e o cansaço ficava menor.
Eu gosto da ideia de trabalhar para pagar alguns sonhos. Acho que é o lugar que brigo menos contra o sistema e “aceito” que algumas coisas têm seu preço e a questão que muda tudo é saber o que e como estamos dispostas a pagar.
Todavia, se trabalho muito, leio pouco.
Se trabalho muito para os outros. Trabalho pouco para mim.
E é isso que aconteceu nos últimas dias. Li quase nada, escrevi menos ainda.
Agora há pouco, abri um caderno e escrevi a lápis.
Poema só nasce assim. Com as pontas dos dedos sujas de grafite.
Ri e pensei: “amanhã mando um original que tenho guardado para uma leitura crítica”.
E isso me trouxe a alegria de viver uma vida perto de mim.
Tenho pesquisado, lido e falado (muito) sobre juventudes. Meu recorte de trabalho acadêmico. E uma das pautas se repete sempre: “as juventudes estão exautas, porque vivem uma vida dupla - a real - e a virtual”.
E nós? Adultas? Também não estamos exaustas de tanta performace? De uma vida não vivida, mas postada, curtida, comentada…
E isso me trouxe pra mim durante o processo. Muitas vezes, vivo uma vida emprestada. A do outro. Bem diferente da minha, inclusive.
Não tem como não ficar exausta.
Pra quê?
Todavia, voltar pra mim, quando escapo pelos vãos dos dedos, tem se tornado cada vez menos demorado. Sei quando a vela precisa estar acesa; qual o cheiro da casa; de quando preciso sair no meio da tarde com a minha filha; do que comer e a lista segue.
Na semana que passou, uma muito querida, me enviou uma mensagem para dizer que, depois da maternidade, tem se despedido de algumas pessoas que não fazem mais sentido em sua caminhada. Foi tão gostoso ouvir aquilo, porque é exatamente como me sinto.
Não preciso mais me espremer e nem tampouco abrir espaços nas fendas do meu corpo para abrigar o que não cabe mais.
De todas as revoluções, ser mãe da Marina é a que mais me trouxe para a vida. E a maneira que posso agradecer é vivendo (no gerúndio) uma vida que seja minha, genuinamente minha.
Daqui a alguns dias faço 40. Urano deixou touro. É ano do cavalo de fogo.
Tô viva. E voltei a ouvir Angela Ro Ro (e show da Luna, claro!).
Obrigada tempo
pelas labaredas
que dançam


Escolher o que estamos dispostos e quando...um grande privilégio, outro é ter o tempo de ler suas palavras...obrigadas por elas
Eu desfazendo as malas, paro para ler seu texto e me deparo com a frase : "que algumas coisas têm seu preço e a questão que muda tudo é saber o que e como estamos dispostas a pagar." Estava escrevendo no bloco de notas, durante o voo, algo semelhante ou que dialoga muito. Amei o texto! Que venham os 40, porque eles doem os ossos , mas libertam a alma .